Há pessoas que têm sonhos que lhes estão no sangue e na alma.
Mas a verdade é que elas sabem que querer não chega, sonhar não basta. Sabem que os sonhos são tão grandes, que a luta, por essa razão, tem de ser maior ainda. Essas pessoas sabem o quão têm que lutar, o quão têm que apostar.
Essas pessoas têm uma equipa, onde todos têm que dar o seu melhor, para não se desiludirem uns aos outros, mas mais importante, para não se desiludirem a si próprias. Depositam toda a sua confiança nos que estão com elas, a tentar concretizar um sonho. São uma equipa, e nunca se esquecem que é um por todos e todos por um, aconteça o que acontecer.
Elas sofrem os seus sonhos. Lutam, não desistem, apostam tudo o que têm, mas às vezes, isso não chega. Dececionam-se, sofrem. Perderam, outros ganharam, mas aquela equipa perdeu. Essas pessoas puseram de parte todas as prioridades para lutar, mas perderam. A equipa uniu-se, lutou, foi em frente, mas perdeu. Eles sabem o que têm de melhorar e como o fazer. Sabem que podem fazer melhor, mesmo que tenham pensado que chegaram ao limite. Muitas vezes, os elementos dessa equipa perguntam a si mesmos se tudo valerá a pena, se vale a pena dar passos maiores que o limite, se vale a pena ser persistente até ao fim.
A equipa volta a dar o máximo de si, um máximo que nunca tinham conhecido antes. Sofrem, ficam feridos, jogam à chuva, ao frio. Nessas alturas, por vezes, caem. Não aguentam a pressão. E voltam a perder. Lutam e voltam a perder. Aí sentem-se frustrados e questionam-se: "porque é que não conseguimos?".
E tentam outra vez, lutam, continuam, persistem, choram, sofrem, perdem, mas voltam a tentar.
Mas há um dia em que aliam a união que têm uns pelos outros, o amor que têm pelos seus sonhos e a ambição que têm para concretizá-los e entram em campo. Não querem saber se ganham, se perdem. Querem estar ali, e fazer aquilo porque é o que gostam, é algo a que estão dispostos por vontade própria. Ninguém os pôs ali, eles quiseram estar ali! Eles prometeram a si mesmos que iriam estar ali o tempo que fosse preciso para poderem dar um passo maior do que todos os que já tinham dado. Nesse dia ganharam. Acabou o jogo, e ganharam.
Olham uns para os outros, de alegria, e percebem que foram os melhores ali e que por isso merecem aquele título. A equipa apercebeu-se que uma boa equipa reconhece as suas capacidades, reconhece os seus erros, as suas falhas. A equipa sabe que há melhores, e que há piores. Mas sabe que ganhou.
Então aí, chora de alegria. Depois de tudo, ganharam. Porquê?
Porque não desistiram. Apesar de todos os obstáculos, não desistiram. Aprenderam que não há nada, em campo, que seja impossível. Aprenderam que nada dá mais gozo do que fazer das impossibilidades uma motivação para lutar, e para chegar ao topo.
E esses, sim, são os verdadeiros campeões!
leonor passinhas.
domingo, 21 de abril de 2013
Oh ser!
Oh ser, porque me deixas
Na perplexidade da antítese
Da minha mente ridícula
Se sabes que a minha complexidade
É maior que a minha vontade?
Porque me emaranhas
Neste cruel desespero
Se mereço magnânimas colheitas
Daquilo que, com esforço, semeei?
Porque me fazes acreditar
Que a pena não valho
No inebriar da minha alma
Destituída de razão?
Porque é que
Os argumentos que me dás
São ainda mais escusados
Que o problema que criei?
Oh ser meu, minha propriedade
Meu eu, inteiro sem metades ou pedaços
Onde estão essas metades
E esses pedaços de mim
Se quando olho para eles não os reconheço?
Oh, consciente ínfimo
Faz-me rir do que sou
E do que posso vir a ser
Não me deixes no chão
Porque nele se me abrem
Ainda mais fissuras
Do que não conheço!
leonor passinhas
18deabril2013
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