Oh ser, porque me deixas
Na perplexidade da antítese
Da minha mente ridícula
Se sabes que a minha complexidade
É maior que a minha vontade?
Porque me emaranhas
Neste cruel desespero
Se mereço magnânimas colheitas
Daquilo que, com esforço, semeei?
Porque me fazes acreditar
Que a pena não valho
No inebriar da minha alma
Destituída de razão?
Porque é que
Os argumentos que me dás
São ainda mais escusados
Que o problema que criei?
Oh ser meu, minha propriedade
Meu eu, inteiro sem metades ou pedaços
Onde estão essas metades
E esses pedaços de mim
Se quando olho para eles não os reconheço?
Oh, consciente ínfimo
Faz-me rir do que sou
E do que posso vir a ser
Não me deixes no chão
Porque nele se me abrem
Ainda mais fissuras
Do que não conheço!
leonor passinhas
18deabril2013

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