Há pessoas que têm sonhos que lhes estão no sangue e na alma.
Mas a verdade é que elas sabem que querer não chega, sonhar não basta. Sabem que os sonhos são tão grandes, que a luta, por essa razão, tem de ser maior ainda. Essas pessoas sabem o quão têm que lutar, o quão têm que apostar.
Essas pessoas têm uma equipa, onde todos têm que dar o seu melhor, para não se desiludirem uns aos outros, mas mais importante, para não se desiludirem a si próprias. Depositam toda a sua confiança nos que estão com elas, a tentar concretizar um sonho. São uma equipa, e nunca se esquecem que é um por todos e todos por um, aconteça o que acontecer.
Elas sofrem os seus sonhos. Lutam, não desistem, apostam tudo o que têm, mas às vezes, isso não chega. Dececionam-se, sofrem. Perderam, outros ganharam, mas aquela equipa perdeu. Essas pessoas puseram de parte todas as prioridades para lutar, mas perderam. A equipa uniu-se, lutou, foi em frente, mas perdeu. Eles sabem o que têm de melhorar e como o fazer. Sabem que podem fazer melhor, mesmo que tenham pensado que chegaram ao limite. Muitas vezes, os elementos dessa equipa perguntam a si mesmos se tudo valerá a pena, se vale a pena dar passos maiores que o limite, se vale a pena ser persistente até ao fim.
A equipa volta a dar o máximo de si, um máximo que nunca tinham conhecido antes. Sofrem, ficam feridos, jogam à chuva, ao frio. Nessas alturas, por vezes, caem. Não aguentam a pressão. E voltam a perder. Lutam e voltam a perder. Aí sentem-se frustrados e questionam-se: "porque é que não conseguimos?".
E tentam outra vez, lutam, continuam, persistem, choram, sofrem, perdem, mas voltam a tentar.
Mas há um dia em que aliam a união que têm uns pelos outros, o amor que têm pelos seus sonhos e a ambição que têm para concretizá-los e entram em campo. Não querem saber se ganham, se perdem. Querem estar ali, e fazer aquilo porque é o que gostam, é algo a que estão dispostos por vontade própria. Ninguém os pôs ali, eles quiseram estar ali! Eles prometeram a si mesmos que iriam estar ali o tempo que fosse preciso para poderem dar um passo maior do que todos os que já tinham dado. Nesse dia ganharam. Acabou o jogo, e ganharam.
Olham uns para os outros, de alegria, e percebem que foram os melhores ali e que por isso merecem aquele título. A equipa apercebeu-se que uma boa equipa reconhece as suas capacidades, reconhece os seus erros, as suas falhas. A equipa sabe que há melhores, e que há piores. Mas sabe que ganhou.
Então aí, chora de alegria. Depois de tudo, ganharam. Porquê?
Porque não desistiram. Apesar de todos os obstáculos, não desistiram. Aprenderam que não há nada, em campo, que seja impossível. Aprenderam que nada dá mais gozo do que fazer das impossibilidades uma motivação para lutar, e para chegar ao topo.
E esses, sim, são os verdadeiros campeões!
leonor passinhas.
domingo, 21 de abril de 2013
Oh ser!
Oh ser, porque me deixas
Na perplexidade da antítese
Da minha mente ridícula
Se sabes que a minha complexidade
É maior que a minha vontade?
Porque me emaranhas
Neste cruel desespero
Se mereço magnânimas colheitas
Daquilo que, com esforço, semeei?
Porque me fazes acreditar
Que a pena não valho
No inebriar da minha alma
Destituída de razão?
Porque é que
Os argumentos que me dás
São ainda mais escusados
Que o problema que criei?
Oh ser meu, minha propriedade
Meu eu, inteiro sem metades ou pedaços
Onde estão essas metades
E esses pedaços de mim
Se quando olho para eles não os reconheço?
Oh, consciente ínfimo
Faz-me rir do que sou
E do que posso vir a ser
Não me deixes no chão
Porque nele se me abrem
Ainda mais fissuras
Do que não conheço!
leonor passinhas
18deabril2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
Os teus limites são o cúmulo da tua existência.
Quando os atingires, saberás quantas vezes estarás disposta a pisá-los. A noção, desaparecer-te-á.
Não gosto de pisá-los, meu amor. Gosto de me sentir para lá do que conheço.
Se não conhecer, sentir-me-ei completa no meu todo, pela descoberta, pela fruição do que aprendi.
E não me arrependo. Só me arrependo do que não tive tempo para viver, porque a vida ficou de um outro lado, desfocada, sob o ponto de vista que a passagem do limite me proporcionou.
Quando os atingires, saberás quantas vezes estarás disposta a pisá-los. A noção, desaparecer-te-á.
Não gosto de pisá-los, meu amor. Gosto de me sentir para lá do que conheço.
Se não conhecer, sentir-me-ei completa no meu todo, pela descoberta, pela fruição do que aprendi.
E não me arrependo. Só me arrependo do que não tive tempo para viver, porque a vida ficou de um outro lado, desfocada, sob o ponto de vista que a passagem do limite me proporcionou.
sábado, 23 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
lixo mental#
2 de janeiro de 2013, 00:00h.
Não me cabia no meu todo que tal fosse possível. Que tais emoções e sentimentos me ocorressem tão intensamente, tendo eu a noção que durariam apenas dois dias. Não me cabia na alma o vazio que isso me traria, quando abalasse de Lisboa. Pensei que o cheiro dele não me perseguisse tanto, que a saudade não me abalasse tanto. Mas durante este tempo, ele conseguiu excitar a minha alma, conseguiu explorar-me como ninguém o fez, conseguiu amar-me, um bocadinho, enquanto eu o amava incondicional e esmagadoramente. A minha alma não consegue assimilar a distância, a saudade, o impacto entre aquele grande mundo de curta duração, com o real, o denso, o que magoa a longo prazo, como consequência. Arrisquei tudo num bilhete de ida e volta, e nunca nada valeu tanto a pena. Nunca um abraço me consolou tanto. Nunca um beijo me satisfez tanto, nunca umas mãos me protegeram tanto como aquelas. Nunca num sussuro ao ouvido se concentrou uma vida, um desejo, uma interrogação, um mistério.
Tudo isto me frustra, porque tudo faz sentido e simultaneamente nada faz. Simultaneamente sei e sinto que estou apaixonada, e depois olho à minha volta e digo que o amor é mais que isto. E bato com a cabeça nas paredes porque a raiva invade-me sem saber porquê, nem para quê, nem por causa de quem em concreto.
Nestes dias restam-me 3 hipóteses: ver filmes a beber e fumar até adormecer, ler Boa filosofia até me 'teletransportar' para fora deste mundo ignorante, ou pôr os fones nos ouvidos e chorar até eu mesma ser a conceção real e frustrada da raiva. Hoje, não sei qual dos três escolher.
Talvez esta sensação de indecisão seja um sinal que este ano deve ser mesmo sinal de que mudei, de que cresci, de que ganhei maturidade. Mais maturidade.
Um sinal que deva esperar que não seja eu a procurar, mas sim que deixe de me importar até me encontrarem.
Ps: Vou dormir com a minha roupa que a tua cama perfumou, e vou deixar que o sono me tire este vazio e as lágrimas limpem o que eu não consegui mandar embora.
Amo-te*
leonorpassinhas#
3 de janeiro, 00:00h
O vazio permanece. Com um mapa nas mãos e as cartas na mesa, nunca me senti tão perdida e sem rumo. Talvez seja mesmo amor, que me consome e ocupa tudo aquilo que não sabia que era. Valeu a pena para mim, mas valeu tanta. E é por saber que a importância que teve para ti em nada se iguala à que teve para mim, que choro, que me frustro, que me perco sem saber onde estou nem para onde vou. É por isso que sei que te devo esquecer e obrigar-me a mim própria a abstrair-me do que és. Porque és mais do que isto, do que o que aqueles dois dias foram. Não és meu. Não és meu agora, apesar de o quase teres sido naqueles dias. A tua ausência magoa-me tanto, que choro e me prendo numa coisa que nunca começou. Mas ainda assim te quero, e fico na ilusão de que não foi só prazer. Mas simultaneamente o meu subsconsciente obriga-me a acordar para o mundo que dizem real, e mandar-te embora da minha vida. Dói tanto. As lágrimas caem e dói tanto. O teu cheiro presente na minha roupa persegue-me a alma, custa-me o que sou e porque o sou. A música repete-se vezes sem conta, e a dor que parece infinita acumula-se brutalmente tanto no meu físico como no meu psicológico. A fome não sabe voltar, a alegria partiu com ela, e a saudade veio brutalmente pela primeira vez na minha vida. O amor instalou-se em tudo o que sou. Dói-me tudo o que sou, dói-me o que não sou, dói-me o que te dei, e o que não te dei. Dói-me o que me deste e o que me tiraste, o que nunca me prometeste. Dói-me a tua sinceridade, dói-me não teres sabido mentir para a alma me doer menos. Não me iludiste com gestos ou palavras, e é isso que me dói. Dói ter abalado de Lisboa sem outra viagem paga, sem outra alegria e ansiedade. Dói não conseguir dormir, porque o amor me consome o sono. O tempo é tão frio mas tão honesto, a raiva não me ilude, mas as lágrimas caem e não alteram nada. São apenas o espelho de como me sinto, de como te queria ao pé de mim, de como constituis um meio de subsistência emocional na minha vida. E de como a dor está a ser uma constante nos meus dias. De como os torna mais longos e mais sinceros. Mas a sinceridade magoa mais que a ilusão. Sempre foi assim. Chego a um ponto em que a dor seca as minhas lágrimas, e o meu corpo acumula tristeza sem saber como a expulsar. A minha mente revê os momentos que os meus olhos fotografaram a cores, com cheiro e emoção. Revê o cheiro da tua cama, a confusão do sofá, e a honestidade do que sentias e do que não sabes sentir. Não te culpo. Não te posso obrigar a ficares presente na minha vida a cada dia que passa porque não somos compatíveis. Não funciona.
PS: Vou dormir novamente com a minha roupa que a tua cama perfumou, para te sentir ao pé de mim, para relembrar a importância que inevitavelmente tens na minha vida.
Fim: 00:51h
leonorpassinhas#
3 de janeiro, 15:05h.
Hoje perdi-me em lembranças e em genuinidades que obrigaram o tempo a passar mais rápido. É bom distrair-me com o que me faz feliz. Mas dói saber que não há uma continuidade naquilo em que aposto todos os dias. O meu subsconsciente tira-me do abismo a cada segundo, a cada minuto em que penso na utilidade das minhas ações na minha vida. Ele encosta-me à parede e obriga-me a reconhecer que não vale a pena, que não valeu, e que nunca há-de valer este esforço a que me submeto, irracionalmente, todos os dias. Simultaneamente a minha consciência não me pesa, nada do que fiz me faz arrepender, nada a que me dispus me coloca um peso nas costas. O fardo que carrego chama-se angústia, nostalgia, saudade.
Recorro a maneiras de escapar ao mundo real que não são eficazes, mas que aliviam o que me perturba, e nesses momentos consigo ser desprovida de qualquer tipo de sentimento. Torno-me oca. Aí, a consciência adormece. Não gosto de quando ela acorda, não gosto de quando ela me empurra para o computador, para desabafar o que me corrói e não consigo guardar cá dentro. Só quero chegar a casa, esconder-me debaixo dos cobertores durante umas 18 horas, até ao dia seguinte ter que acordar, e voltar a pisar o chão que os outros pisam, a cheirar o que os outros cheiram, mas a sentir aquilo que muitos não sabem sentir. Mas acabo sempre com 15 páginas que me atraem a relê-las as vezes que forem precisas para relembrar aquilo que sei fazer. Desabafar a minha alma e compor o papel, como se fosse uma obra de arte digna de não ser esquecida. Ler e escrever será sempre, dure a Humanidade o tempo que durar, a melhor e mais sentida forma de expressão do nosso abstrato-concreto. É disto que sou feita, é isto que quero para a minha vida, desde sempre.
O vazio ainda cá está, à espera que eu o alimente, à espera de crescer e de me mandar abaixo, como sempre o fez e o sabe fazer. Hoje, apesar de vulnerável, consegui viajar para um mundo onde ninguém me encontra, onde ninguém fala, onde ninguém me magoa, onde ninguém me abate, onde ninguém me faz duvidar daquilo que sou (dentro ou fora daquele mundo.)
Como hoje me entreguei ao passado, tenho uma hora de sono em cima. O melhor que faço é desligar o computador, fumar os cigarros que forem precisos, e ir dormir até que alguém me queira acordar. Se não acordarem, melhor. É menos tristeza que sinto, é menos angústia que me atinge.
Vai levar tempo até me recompor, mas o tempo cura. Cura sempre.
PS: O teu cheiro está a desaparecer do meu saco, e quando desaparecer, mais perdida ficarei. A minha memória não é suficiente para te trazer à minha cama, ao meu peito.
leonorpassinhas#
4 janeiro 2013, 23:38h.
Não há nada nesta vida que nos safe da dor. Nem o tempo a manda embora. Parte de nós, da nossa consciência, da nossa vontade, da nossa força, da nossa capacidade de sofrer de outra dor, para substituir aquela. Nenhuma dor vai embora porque queremos. Vai embora porque lutamos para que vá. E há várias formas de lutar: a minha é de doer mais, até doer tanto que a minha alma já não é suficientemente grande para a suportar, e é automaticamente obrigada a expulsá-la. Resta saber quanto tempo dói até me transcender, resta saber se não sou maior que a dor para ela nunca abalar. Resta saber se não sou pequena o suficiente para ela transbordar. Porque enquanto sou forte, a dor também o é, e enquanto sou fraca, a dor é ainda mais forte. Desproporcionalidades que me dececionam até doer mais do alguma vez pode doer. E é o desespero de querer, que me arrasta para o vazio no qual me encontro. É o desespero que faz com que nos exponhamos a uma dor que veio, porque quisemos. Porque as ações são mais importantes que as consequências. As ações disfrutam-se. As consequências atacam-nos.
E não importam meios, importa estar ali, com aquela pessoa, e fazerem o que o seu corpo ou mente lhes mandar. Não há limites. Não há regras, não há rotinas. O único obstáculo é a inexistência da noção do tempo. A inexistência da nossa utilidade ali, o que importa é por que fomos, para que fomos, para estarmos com quem, a fazer o quê. E dói-nos o peito, da dor que se magoa a si mesma. Da dor que luta contra si mesma para nos proteger. Luta que resulta em mais dor, mais desespero, mais nadas que nos deixam perdidos, ocos, vazios. Doentes.
'Afinal, o que ando aqui a fazer?' - é a pergunta frustrante que nos fazemos a nós mesmos. Não há respostas no momento que nos consolem, que nos ponham um sorriso na cara, porque a vida não é só dor, mas também é. Se repararmos bem, a imparcialidade pode ser uma cura para isto. Mas, infelizmente, não o sou e não o serei, porque isso obrigar-me-ia a esvaziar-me daquilo que sou, daquilo em que acredito e daquilo que promovo para a minha vida. A vida é tão irónica.
Uma vida a lutar por outra vida, e acaba-se por se estar sempre a lutar para alcançar o que não temos, mas que precisamos. 'Lutar para quê?'. Lutar porque somos humanos, porque somos uma espécie meticulosamente perfeita mas assustadormente imperfeita, contradição que muitos não entenderão. Azar, a perspetiva é minha, o desabafo é meu. Cada um entende e interpreta como quiser.
leonorpassinhas#
8 de janeiro, 18:56h.
Há dias em que não precisamos de muito. Não fazemos exigências, não temos alternativas de escapar ao que quer que seja, porque não existem. Não temos de falar muito, não temos que pensar em muito. Só temos que nos deixar levar pela neutralidade do momento que rasgou o nosso dia, como que uma anestesia de diferenças, de mistérios. Bastam meia dúzia de cigarros e meia dúzia de músicas. Não sabemos para que bastam, o que valem, porque valem, só sabemos que bastam. Bastam ali, sem elações ou analogias complexas.
Os olhos semi cerram-se num mundo banal, num mundo parado, num mundo anti-consciente. A expressão ausenta-se e isso traz-nos paz. Dá-nos segurança. Não nos deixa mais felizes, mas deixa-nos mais tranquilos. Ali a utopia não faz sentido, as tuas crenças não fazem sentido, porque o mundo é maior que tu, maior que os teus desafios, maior que a tua bondade. Maior que ele mesmo.
Não tens medo. E sentes-te bem com isso. Não queres viver à pressa e consegues tirar o maior partido disso. Queres viver intensamente e isso rouba-te a noção do tempo, a noção daquilo a que estás disposta, a noção de que não és muito diferente neste conjunto de rótulos, de consumos e de vantagens.
Por fim apercebes-te que a sociedade é que te rouba o que podia ter sido o rendimento de hoje e o pão de amanhã na tua mesa, o valor de ontem e a noção de que hoje já não é ontem. Que o ontem não volta mais só para te pedir desculpa, ou para te dar oportunidades que ignoraste por não satisfazerem os teus caprichos, a tua ambição ou a tua ganância por quereres triunfar num mundo quando não consegues fazeres de ti o teu próprio trunfo.
leonorpassinhas#
é a vida.
.
E o orgulho é tão grande. A entrega exprime o que não sei explicar; o que as palavras que te pronuncio não sabem dizer. Fazes-me acreditar que as palavras não são nada quando os gestos significam mais do que promessas. E há calor no que se vive e sabor no que se sente. Não é mais uma banalidade, não é o que a sociedade mostra nem o que ninguém diz. É o atravessar o limite, sem olhar aos que nos rodeiam, sem pensar na dor, sem pensar no futuro; sem pensar no fim. Somos por nós dois, e o resto do mundo é outro mundo em que nós também vivemos, mas que nos escapa da alma a cada momento que sabemos que estamos ali os dois, sem 'ses' e sem detalhes. Não há prioridades, não há palavras, não há lógica, não há consciência, não mais nada sem ser aquilo. Não há heróis, não há sortudos, não há coerência. Não existe o 'irei', existe o 'estou lá já'. Não existem parentisis, não existe método, não existe rotina, não existe monotonia. Somos só nós, sem saber o que é a lucidez e a alucinação, o que é a realidade e a utopia. Será que estamos a viver ou que estamos a sonhar? Entregamo-nos de corpo e alma àquilo, e não sabemos bem nem porquê nem para quê. Talvez seja mesmo porque não há meios para atingir fins, nem interesses imparciais ao que sentimos. Simplesmente sentimos; faz faísca. Não há porquês nem para quês, é assim e pronto. Não há 'se fosse diferente'. O corpo descontrola-se, a mente confunde-se, e a alma chora a felicidade, o bem-estar. Confundimo-nos. Não sabemos se o tremer é do frio, se a falta de sono é esporádica, se os pensamentos são fruto de um dia diferente e se no dia seguinte tudo voltará à normalidade. Mas os dias passam, e a normalidade que acontecia antes de tudo, não voltou. Mantemo-nos isentos dela, famintos do que é novo, e do que nos faz mudar, a cada dia, divididos entre duas personalidades. A que éramos, e a que somos. Ali, naquele momento. Sem senãos nem porquês. Abraço-te e tudo é diferente. O estômago contrái-se e nada é normal. Eu tremo e o suor avizinha-se, a aceleração é constante e, por vezes, a ânsia consome-me e receio o meu corpo, o que o meu subconsciente faz sobre ele.
Não existe magia quando nós fazemos com que a transcendência seja possível, com que os nossos corpos dependam um do outro, para a assimilação do que somos e do que queremos. E o desejo mantém-se igual. A conquista aumenta, a mente é irónica. O coração receia a dor, e a dor receia-nos a nós. É que dói tanto que é incapaz de doer. Mói-nos tanto, e destrói-nos tanto, que é incapaz de nos destruir. É tão forte que é paradoxo a toda a hora.
Então faz-me acreditar que não é só mais um ano que passa, que não é só mais uma vez em que sorrimos, que não é só mais um jantar que se faz. Que não é só mais um cigarro que se fuma, que não é só mais uma música que se ouve. Que não é só mais uma surpresa que nos atinge, que não é só mais um abraço que se dá, que não é só mais uma loucura que se comete. Que é não é só mais uma viagem que se faz, que não é só mais uma festa onde vamos. Que não é só mais um perfume que se compra, que não é só mais um pequeno almoço na cama, que não é só mais um mais que vale a pena todos os dias. Façamos para que nunca seja só mais um momento. Que nunca seja só mais um texto de dez mil palavras. Que não seja só mais um desabafo, mais uma lágrima, mais uma perspetiva. Que não seja só mais uma alucinação, que não seja só mais uma vez que se lutou, que se pisou o limite. Que não seja só mais uma dor, só mais uma vida. Que não seja nada disto, mas que seja muito mais do que queremos. Que seja muito mais do que podemos. Que seja muito mais do que sabemos.
17 de março, 08:51.
#leonor
domingo, 3 de março de 2013
opções
Hoje as peças encaixam. Os dias passam e as palavras ecoam na minha mente. A verdade magoa porque a ilusão prevaleceu estes anos todos e ninguém me conseguiu explicar isso. De facto, o que estiveste a fazer na minha vida estes anos todos se nunca me disseste "adoro-te", ou "não te deixo"?
Choro, não sou menos que tu nem que ninguém porque o faço e não receio que os outros vejam. Não me importa. (...)
Todos de criticaram e te deixaram sozinho mas eu nunca, em momento algum o fiz. Estive lá, permiti que me rebaixasses de todas as vezes, que me ofendesses, que me desvalorizasses, mas nunca te deixei sozinho. Aliás, sempre te amei, enquanto mais ninguém o fez. Nem tu te amaste, nem tu gostaste de ti. Isso doía no momento, mas passava, e eu nunca te exigia explicações. Deixava-te ser egocêntrico, revoltado, egoísta, e um misto de tudo em simultâneo, mas gostava de ti. Ninguém o fez como eu fiz, ninguém te tão bem tratou como eu, ninguém te amou como eu, ninguém te mimou tanto como eu. Mas de todas essas pessoas que só se importaram quando tinhas o bolso cheio, de todas as pessoas que te apunhalaram, de todos os que te trataram como merda, eu fui de toda essa gente, a que tu menos valorizaste. Hoje percebo isso porque não consegues controlar os confrontos à tua verdade, não queres ouvir quando não tens razão, e impões-te quando grito mais alto do que tu. A diferença é que dantes eu calava, e agora ninguém consegue que eu o faça. Porquê? Porque apesar de manter por ti o respeito que não mereces, deixei de gostar de ti. Deixei de me importar com o que me eras e e passei a ter uma coisa que nunca tive: certezas do que quero.
Quem és tu? Não sei, nunca o soube. Não quero que me expliques, não quero que mudes. Porque tu nunca foste quem eu via, e o meu sub-consciente fizera-mo acreditar de todas as vezes.
Não quero consistir um motivo de constante sinal de stop no teu caminho. Somos paralelos, e tu fizeste por isso. Apesar de não te conhecer, tu foste de todos o que me conheceu melhor. Quem me conhece bem sabe que esqueço melhor do que perdoo, que sigo sempre em frente e que nada nem ninguém me deixa para trás. Nunca deixou. Excepto tu, até há bem pouco tempo.
Era apenas o que queria que lesses.
leonor passinhas, 2010
saudades
As luzes dos candeeiros apagadas traziam uma imensidão mais magoada àquela rua, as lágrimas tornavam-se constantes a cada explicação cada vez mais coerente. As lágrimas caiam inconscientes. Os nossos objetivos morriam a cada gole de cerveja. A nossa inteletualidade era influenciada pelos nossos gestos, pelas nossas palavras. A culpa era apenas nossa, a necessidade, o desespero, a vontade, a falta de força tornavam-nos mais incapazes, mais vulneráveis a cada beijo, a cada sorriso. Rasgávamos a noite com memórias tal e qual como as incertezas surgiam na mente, porque ao fim ao cabo estávamos impossibilitados de assumir o poder do que quer que fosse. Tu porque te tinhas resumido a esse erro, e eu porque permiti que isso acontecesse.
#m2009
leonor passinhas
quem ama não magoa.
Tentava esfaquear aquele sentir e despia-me mais uma vez de razão.
Inevitavelmente, embrulhava-me em recordações e tentava aconchegar-me num futuro próximo, a teu lado. Tinhas-me submetido a uma vida incondicional, e eu orgulhava-me disso.
Chorava uma nova mágoa e simultaneamente refugiava-me no desespero. O meu ser revoltava-se e o medo apoderava-se de novo. A angústia e aquela mágoa dominavam o meu sub-consciente e naquele momento o ódio envolvia mais o meu físico do que o psicológico. As palavras soltavam-se, sem coerência. Confundia dor com devaneio, ilusão com realidade. A violência cegava-me, as gotas de sangue constantes decoravam o chão solitário, mas o amor que te tinha era tão grande. Ao teu corpo, aos teus lábios. A ansiedade acompanhava-me mais uma vez. Depois, contrariamente, as tuas promessas ardiam como da primeira vez, e, depois, eu abraçava-te. O teu perfume consumia as minhas entranhas e as tuas mãos protegiam-me. O teu colo dava-me alento. Amava-te sem condições.
A tua doce expressão acompanhava-me também mas a dor permanecia.
Os nossos mundos tornavam-se paralelos.
Estaria eu disposta a isso?
A tristeza e indecisão manifestavam-se de novo e a lucidez desmoronava-se. Faltava-me a força, faltavam-me as palavras, mas o meu coração palpitava como da primeira vez.
Acabara de bater no fundo. Mal sabia eu que lá ficaria 3 anos.
#cbm2009
leonor passinhas.
rascunhos
Sinto-me condenada a uma discrepância que se alojou numa noção ingénua. E a mente funciona em vão, a mortalha queima em vão. O papel chora as minhas palavras na melancolia da noite, a música ecoa na complexidade do que sinto. Passa de abstrato a concreto. A raiva passou a ser percétivel à distância. Consigo vê-la. Sei que a escondes no canto mais profundo da tua alma para evitares a exatidão da sua existência. Medo de fazer pouco em muito, e tudo em pouco. Ou és tudo ou és nada. Sóbrio, alucinado. O batimento cardíaco dispara. É triste saber que a mágoa é propositada, que a dor é deliberada. É triste reconhecer o impacto da tua ausência. Olho para ti. O rancor que guardas, o nojo que sentes. As pupilas dilatadas, as olheiras inchadas, os olhos cansados e o corpo cambaleando por um beco sem saída. Assim é a tua vida.
Amas os que à mínima te mandam ao chão, e os que te amam? Repugnam-te. O rosto deles passam-te de rajada. Eles não te perdoam na teoria, mas na prática? Não te fazem sentir no fio da navalha. Estão lá, sempre. Aparam-te quando tu os odeias, quando tu os atropelas, quando tu dizes que não prestam. Eles choram por dentro, ajoelham-se, rezam. Pedem, com esperança, que tu escondas uma boa pessoa, um bom coração, uma ânsia de viver. A felicidade. A vontade de acordares de manhã e que os abraces como se o teu dia fosse o último. Eu não. E tu sabes que também estive sempre lá. Hoje, a minha alma madruga no passado que me deste, no apoio que não me deste, na pessoa em que me tornaste. Eu pensei que a minha nova rotina te tivesse substituído. Mentira.
Hoje, a realidade que gosto de experimentar em dias de desespero já não me neutraliza. Por isso fujo dela. Não vale a pena. (...)
Não nego que depositei toda a esperança na tua pessoa. Hoje, ardo por dentro. O mundo acaba a cada momento em que penso que a solidão está perto. Sem cerimónias. O cemitério está ao teu lado, os que te amam não são eternos. Choro e os ponteiros encravam no relógio. Diz-me. Como consegues deitar-te e dormir de consciência tranquila? Mas a vida é mesmo assim. Temos dúvidas hoje, daqui a 20 anos continuamos com as mesmas dúvidas. Não há respostas, e os pontos de interrogação crescem a cada momento que acredito numa mudança da tua parte. Chamam-me de ingénua por pensar que todos nós vamos a tempo de abrir os olhos.
Chamam-me de ingénua por te ver com as narinas secas, brancas, com a voz escandalizada e ainda assim acreditar que podes mudar, basta estalares os dedos.
Voltando à normalidade, em que muitos não acreditam, na imparcialidade da minha sensibilidade e do grau de parentesco que tenho para contigo, tenho a certeza que darias muito mais por um quarto de placa, umas quantas kingsize, um bocado de cartão, duas gramas de coca e uns quantos ácidos, do que por um sorriso no meu rosto. Do que me veres triunfar na vida.
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